{"id":12096,"date":"2024-11-14T10:42:29","date_gmt":"2024-11-14T13:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/?p=12096"},"modified":"2024-11-14T16:05:29","modified_gmt":"2024-11-14T19:05:29","slug":"o-alto-custo-de-ampliar-os-privilegios-do-simples-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/o-alto-custo-de-ampliar-os-privilegios-do-simples-nacional\/","title":{"rendered":"O alto custo de ampliar os privil\u00e9gios do Simples Nacional"},"content":{"rendered":"\n<p>O Comsefaz tem apoiado o regime do Simples Nacional desde a sua institui\u00e7\u00e3o. No entanto, a maior amea\u00e7a a esse regime tem sido novos projetos de lei que surgem no Congresso Nacional. S\u00e3o projetos que corrompem o diferencial de vantagem dos pequenos e m\u00e9dio contribuintes, ao estend\u00ea-las a contribuinte de maior porte.&nbsp; Ao conferir privil\u00e9gios desigual aos que tem maior poder de iniciativas, sabotam a competitividade dos verdadeiros benefici\u00e1rios que o programa busca alcan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Criado para simplificar e unificar a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos para micro e pequenas empresas, o Simples Nacional se tornou um ponto de tens\u00e3o na pol\u00edtica tribut\u00e1ria brasileira, comprometendo tanto a competitividade quanto a justi\u00e7a fiscal no pa\u00eds. Originalmente destinado a \u201cpequenos neg\u00f3cios\u201d, o regime tribut\u00e1rio tem beneficiado empresas com faturamento anual de at\u00e9 R$ 4,8 milh\u00f5es, valor bem acima dos limites adotados por outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). Na pr\u00e1tica, o Simples Nacional passou a abranger empresas de m\u00e9dio porte que, em outros pa\u00edses, j\u00e1 estariam sujeitas aos regimes tribut\u00e1rios convencionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo \u201c<em>Por um ajuste justo com crescimento compartilhado &#8211; Uma agenda de reformas para o Brasil<\/em>\u201d, elaborado pelo Banco Mundial, aponta que o Simples Nacional custa ao Brasil cerca de 1,2% do PIB \u2013 mais do que o dobro do or\u00e7amento do Bolsa Fam\u00edlia. Esse custo representa um peso espec\u00edfico para o pa\u00eds, sem evid\u00eancia concreta de retorno em termos de gera\u00e7\u00e3o de empregos formais ou melhoria de desempenho das empresas. Segundo o relat\u00f3rio, o Simples Nacional n\u00e3o gerou maior formaliza\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e, embora beneficie algumas empresas, impacta na qualidade da produtividade ao fomentar a estagna\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios dentro de um teto de neg\u00f3cios limitado para evitar al\u00edquotas mais altas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O SIMPLES \u00e9 caro (cerca de 1,2% do PIB, mais que o dobro do programa Bolsa Fam\u00edlia) e pode provocar distor\u00e7\u00f5es, devendo ser eliminado como parte da simplifica\u00e7\u00e3o geral da tributa\u00e7\u00e3o das empresas. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de qualquer efeito positivo do SIMPLES no mercado de trabalho e nos indicadores de desempenho das empresas, e o regime n\u00e3o resultou em maior formaliza\u00e7\u00e3o de empregos. Embora sem a inten\u00e7\u00e3o, o programa tamb\u00e9m tem consequ\u00eancias negativas sobre a produtividade, tanto por incentivar as empresas a permanecerem pequenas quanto por colocar empresas de m\u00e9dio porte em potencial desvantagem competitiva<\/em>\u201d, diz um trecho do estudo do Banco Mundial, realizado em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a <a href=\"https:\/\/repositorio.fgv.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/db0a6dda-4e23-4bf8-bfd6-27fb0f0ead5e\/content\">Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV)<\/a> alertam que o modelo brasileiro gera distor\u00e7\u00f5es, com alto custo para as finan\u00e7as p\u00fablicas e sem alcan\u00e7ar plenamente seu objetivo de apoio aos pequenos neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, em setembro de 2024, revelou que, em 2022, cerca de 38,4 mil empres\u00e1rios lucraram R$ 46 bilh\u00f5es com empresas do Simples Nacional, alcan\u00e7ando uma renda m\u00e9dia de R$ 1,5 milh\u00e3o por empres\u00e1rio. A facilidade de adotar estrat\u00e9gias de elis\u00e3o fiscal, como dividir as opera\u00e7\u00f5es em m\u00faltiplas entidades jur\u00eddicas para se manterem no Simples Nacional resulta na perda de receita potencial ao Estado \u2013 recursos que poderiam financiar sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o do Simples representa 2,7% da arrecada\u00e7\u00e3o de ICMS dos Estados e do Distrito Federal. Caso o regime fosse ajustado para focar exclusivamente em microempresas, a arrecada\u00e7\u00e3o poderia aumentar, fortalecendo a capacidade dos estados de financiar servi\u00e7os essenciais. As propostas legislativas, como os Projetos de Lei Complementar 319\/2016, 127\/2021, 176\/2019 e 257\/2023, em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, visam alterar o Simples, incluindo mudan\u00e7as no recolhimento do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>O Comsefaz j\u00e1 se posicionou contra essas propostas, defendendo que as mudan\u00e7as favorecem empresas maiores e prejudicam a justi\u00e7a fiscal e a arrecada\u00e7\u00e3o dos Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios do Simples Nacional para maiores empresas pode parecer um incentivo para o empreendedorismo, mas traz um custo alto ao pa\u00eds. Em vez de apoiar o crescimento sustent\u00e1vel e justo de pequenas empresas, o Simples tem, em muitos casos, incentivado a &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221; e a manuten\u00e7\u00e3o de empresas maiores em um sistema tribut\u00e1rio que n\u00e3o condiz com sua capacidade econ\u00f4mica. A longo prazo, essa ocorr\u00eancia representa uma amea\u00e7a \u00e0 competitividade, \u00e0 justi\u00e7a fiscal e \u00e0 capacidade do Estado de fornecer servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comsefaz tem apoiado o regime do Simples Nacional desde a sua institui\u00e7\u00e3o. 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