{"id":13580,"date":"2025-07-08T11:31:18","date_gmt":"2025-07-08T14:31:18","guid":{"rendered":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/?p=13580"},"modified":"2025-07-08T16:13:20","modified_gmt":"2025-07-08T19:13:20","slug":"investimento-publico-no-brasil-protagonismo-estadual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/investimento-publico-no-brasil-protagonismo-estadual\/","title":{"rendered":"Investimento p\u00fablico no Brasil: protagonismo estadual"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Carin Deda*, Jo\u00e3o Marques** e C\u00e9lia Carvalho***<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 complexidade do cen\u00e1rio fiscal brasileiro, uma tend\u00eancia silenciosa, mas determinante, tem se consolidado: o crescente protagonismo dos estados no investimento p\u00fablico do pa\u00eds. Em contraste \u00e0 retra\u00e7\u00e3o observada no \u00e2mbito da Uni\u00e3o, os estados t\u00eam direcionado parcela relevante de suas receitas para financiar o investimento, configurando-se grandes vetores do dinamismo do desenvolvimento nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar o volume investido nos \u00faltimos 10 anos, observa-se que, at\u00e9 2019, Uni\u00e3o e estados apresentavam oscila\u00e7\u00f5es no volume de investimentos com comportamentos similares \u2014 ambos variando na mesma dire\u00e7\u00e3o e em torno de m\u00e9dias pr\u00f3ximas: R$ 60 bilh\u00f5es para a Uni\u00e3o e R$ 55 bilh\u00f5es para os estados (valores reais).<\/p>\n\n\n\n<p>A inflex\u00e3o ocorre a partir de 2020. Enquanto a Uni\u00e3o mant\u00e9m sua m\u00e9dia anual praticamente est\u00e1vel no patamar de R$ 62 bilh\u00f5es at\u00e9 2024 \u2014 com pico em 2023 (R$ 72 bilh\u00f5es) e m\u00ednimo em 2021 (R$ 53,9 bilh\u00f5es) \u2014 os estados iniciam uma trajet\u00f3ria de crescimento expressivo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-fe9cc265 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<p><strong>Gr\u00e1fico 01 \u2013 Investimentos da Uni\u00e3o e dos Estados \u2013 2015 a 2024<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"837\" height=\"457\" src=\"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13581\" srcset=\"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem1.png 837w, https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem1-300x164.png 300w, https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem1-768x419.png 768w\" sizes=\"(max-width: 837px) 100vw, 837px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Notas: Elaborado com base nos dados do Siconfi, Anexo 1 do RREO, referente ao 6\u00ba bimestre; valores empenhados corrigidos pelo IPCA a pre\u00e7os de dez\/2024; R$ em bilh\u00f5es.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo de 2020 a 2024, o volume de investimento estadual salta de R$ 48 bilh\u00f5es para mais de R$ 104 bilh\u00f5es, o que representa crescimento m\u00e9dio anual real de 17,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Se excluirmos o ponto mais alto (2022) e o mais baixo (2020), a m\u00e9dia no per\u00edodo ainda \u00e9 expressiva, se aproximando de R$ 97 bilh\u00f5es a.a. No mesmo intervalo, o investimento federal cresceu apenas 3,7% ao ano, em m\u00e9dia. Trata-se, portanto, de uma invers\u00e3o no protagonismo da pol\u00edtica de investimento p\u00fablico no pa\u00eds, marcada por uma din\u00e2mica ascendente no \u00e2mbito subnacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a \u00f3tica do esfor\u00e7o fiscal, comparando investimento em rela\u00e7\u00e3o a <strong>Receita Corrente L\u00edquida (RCL),<\/strong> essa assimetria entre os estados e a Uni\u00e3o fica ainda mais evidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2015 e 2024, com exce\u00e7\u00e3o de 2020, o<strong> esfor\u00e7o de investimento dos estados foi superior ao da Uni\u00e3o <\/strong>e ganhou ainda mais destaque a partir de 2021 (gr\u00e1fico 2). Enquanto os estados alcan\u00e7aram 11,3% da RCL em 2022 e mant\u00eam patamares acima de 8,0% desde ent\u00e3o, a Uni\u00e3o apresenta trajet\u00f3ria declinante, com<strong> investimentos em 2024 equivalentes a apenas 4,8% da sua RCL.<\/strong> O contraste \u00e9 mais evidente nos anos de 2021 a 2024: <strong>os estados praticamente dobraram, em m\u00e9dia, o percentual da RCL investido pela Uni\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gr\u00e1fico 02 \u2013 Investimentos da Uni\u00e3o e dos Estados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 RCL &#8211; 2015 a 2024<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"455\" src=\"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13582\" srcset=\"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem2.png 850w, https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem2-300x161.png 300w, https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem2-768x411.png 768w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Notas: Elaborado com base nos dados do Siconfi, Anexo 1 do RREO, referente ao 6\u00ba bimestre; valores empenhados corrigidos pelo IPCA a pre\u00e7os de dez\/2024<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa din\u00e2mica revela n\u00e3o apenas um maior volume de investimentos, mas tamb\u00e9m um esfor\u00e7o fiscal proporcionalmente superior por parte dos estados. Mesmo sob a press\u00e3o de marcos regulat\u00f3rios que frequentemente limitam o espa\u00e7o fiscal \u2014 inclusive para aqueles com hist\u00f3rico de solidez fiscal \u2014, muitos estados t\u00eam conseguido preservar e, em diversos casos, ampliar sua capacidade de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno contrasta com a narrativa que afirma que h\u00e1 um descontrole generalizado nas finan\u00e7as subnacionais, destacada em algumas an\u00e1lises recentes<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, e merece ser analisado \u00e0 luz da diversidade fiscal e do compromisso com a responsabilidade financeira demonstrado por diversos estados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que se torna relevante ponderar sobre os riscos de iniciativas que possam, inadvertidamente, tolher a capacidade de investimento dos entes subnacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o de limites uniformes \u00e0s despesas, sem considerar a heterogeneidade fiscal dos estados e suas distintas capacidades de gest\u00e3o, pode comprometer a capacidade de financiamento de projetos estruturantes. Ao penalizar entes que mant\u00eam trajet\u00f3rias fiscais equilibradas e que, justamente por isso, t\u00eam espa\u00e7o para investir, corre-se o risco de sufocar um grande vetor do investimento p\u00fablico no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Al\u00e9m disso, a narrativa que associa a descentraliza\u00e7\u00e3o de recursos ao descontrole fiscal \u2013 embora atraente em seu apelo \u00e0 responsabilidade \u2013 n\u00e3o resiste \u00e0 an\u00e1lise criteriosa dos dados. Se, por um lado, a descentraliza\u00e7\u00e3o acarreta novos desafios de coordena\u00e7\u00e3o e monitoramento, por outro, ela se mostra necess\u00e1ria para que as pol\u00edticas p\u00fablicas alcancem maior efetividade e ader\u00eancia \u00e0s realidades locais. \u00c9 por meio da atua\u00e7\u00e3o descentralizada, mas fiscalmente respons\u00e1vel, que se constr\u00f3i um pa\u00eds mais equilibrado e desenvolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, \u00e9 imperativo reconhecer que o investimento p\u00fablico estadual n\u00e3o apenas supre a lacuna deixada pela Uni\u00e3o, mas tamb\u00e9m se configura como elemento essencial para a din\u00e2mica de crescimento regional e nacional. Incentivar e preservar a capacidade de investimento dos estados deve ser entendido como estrat\u00e9gia fundamental para o fortalecimento do federalismo cooperativo e para a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico e social de forma harm\u00f4nica e sustent\u00e1vel no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Carin Deda \u00e9 Economista e Mestre em Gest\u00e3o Urbana; Diretora do Tesouro Estadual do Paran\u00e1.<br>** Jo\u00e3o Marques \u00e9 Economista, Mestre em Desenvolvimento Socioecon\u00f4mico, Diretor Adjunto do Tesouro do Estado do Paran\u00e1.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>*** C\u00e9lia Carvalho \u00e9 Doutora em Administra\u00e7\u00e3o, Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e Governo, Assessora Especial na Secretaria da Fazenda de Minas Gerais<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Luiz Schymura, \u201cEstados e munic\u00edpios s\u00e3o os novos vil\u00f5es do descontrole fiscal\u201d, <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, publicado em 01 de abril de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Paulo Kupfer, \u201cDescentraliza\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 silenciosa e preocupante, alerta economista\u201d, <em>Economia UOL<\/em>, publicado em 24 de mar\u00e7o de 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carin Deda*, Jo\u00e3o Marques** e C\u00e9lia Carvalho*** Em meio \u00e0 complexidade do cen\u00e1rio fiscal brasileiro, uma tend\u00eancia silenciosa, mas determinante, tem se consolidado: o crescente protagonismo dos estados no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13584,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":[],"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueState":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":"","_VenueShowMap":false,"_VenueShowMapLink":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-13580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-07-08-as-15.54.54_0b470a5c.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13580"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13583,"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580\/revisions\/13583"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13584"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comsefaz.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}