Nesta quarta-feira (23/07), o Comsefaz marcou presença no 25º USP International Conference on Accounting e no 22º Congresso Internacional de Contabilidade da USP, realizados na FEA/USP, em São Paulo. O evento, que reúne mais de 780 participantes, tem como principal objetivo promover o intercâmbio de estudos e experiências nas áreas de contabilidade, controladoria e atuária.

A cerimônia de abertura contou com a participação da comissão organizadora, composta pela diretora da FEA-USP, professora Maria Dolores Montoya Diaz; pelo chefe do Departamento de Contabilidade e Atuária, professor Bruno Meirelles Salotti; pela vice-coordenadora administrativa, professora Mara Jane Contrera Malacrida; pelo vice-coordenador acadêmico, professor Alexandre Evaristo Pinto; e pela coordenadora geral do congresso, professora Patrícia Siqueira Varela.
A programação do congresso contou com diversos painéis e atividades simultâneas. Entre os destaques, esteve a palestra internacional da professora Donna L. Street, que apresentou o artigo “Trust-Building Efforts & Sustainability Reporting Assurance Quality: Insights from Europe”. A pesquisadora abordou a relação entre os esforços das empresas europeias para fortalecer a confiança junto às partes interessadas e a qualidade da asseguração nos relatórios de sustentabilidade.

No painel “Governança fiscal na era da reforma tributária”, o Comsefaz foi representado pelo diretor institucional André Horta, que atuou como moderador da mesa, composta por Matheus Segalla Menegaz, chefe de gabinete da Sefaz-MS e auditor fiscal da Receita Estadual, e Carlos Eduardo Gonçalves, especialista sênior em gestão fiscal do BID.

Matheus apresentou uma visão ampla da reforma tributária e de seus impactos sobre os estados e municípios. Segundo ele, a atual proposta representa uma transformação no sistema de arrecadação, caracterizado historicamente por complexidade, cumulatividade e elevado custo de conformidade. A criação do IVA dual, com os tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), busca corrigir distorções, reduzir desigualdades e aumentar a eficiência do sistema.
Ele alertou que um dos principais desafios da reforma será o período de transição. “O desafio imediato envolve o desenvolvimento de sistemas tecnológicos, a adequação dos sistemas contábeis e financeiros, a convivência entre dois regimes tributários com normas distintas. Precisamos ter uma visão estratégica. Estamos diante de um novo modelo de gestão, mais eficiente e transparente. O desafio é grande, mas o objetivo é garantir o presente e construir um futuro melhor para o país”, destacou.
Carlos Eduardo Gonçalves ressaltou o papel do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no fortalecimento da governança fiscal no Brasil e na América Latina. Com quase três décadas de atuação no país, o BID tem apoiado iniciativas de modernização da administração tributária, melhoria da arrecadação e eficiência no gasto público. “Olhando para o futuro, é essencial investir em inteligência artificial, inovação, gestão em redes e decisões baseadas em dados e evidências. O Brasil já é um benchmark em gestão de dados. Queremos construir uma gestão financeira pública com novos olhares, novas funções e coragem para pensar fora da caixa. O que nos trouxe até aqui não será suficiente para os próximos 30 anos”, afirmou.
Já no painel “Desafios da contabilidade e tesouraria pública frente à reforma tributária”, participaram a presidente do GEFIN, Célia Carvalho, além de André Horta e Carlos Eduardo Gonçalves. Os debatedores refletiram sobre os impactos da reforma sobre a estrutura financeira dos entes subnacionais.

Célia alertou que os impactos da reforma na área financeira começam já em 2025, com a instalação do Comitê Gestor do IBS e destacou a necessidade de preparar a tesouraria e a contabilidade para registrar todos os fluxos arrecadatórios. “A transição não começa em 2027, começa agora”, afirmou.

André apresentou parte do conteúdo do livro “Solidariedade Fiscal” publicado pela editora Contracorrente, que faz uma análise comparativa internacional sobre receitas e despesas públicas inspirando caminhos que ajudam a reorganizar o sistema fiscal de forma mais justa e sustentável. No tocante às receitas públicas, ponderou que “existe um gap entre a média do grupo de países da OCDE e o Brasil do tamanho de 6,4% do PIB brasileiro em relação a arrecadação do imposto de renda pessoa física, um tributo onde a articulação da progressividade tributária é a mais eficiente. Há caminhos no campo da receita pública cuja discussão pede para ser melhor entabulada”, explicou.
Carlos reforçou que o Comitê Gestor deve ser visto como uma grande plataforma de operação integrada, e não como um instrumento de centralização. “Seu bom funcionamento será essencial para o sucesso da reforma”, concluiu.
O evento segue nos dias 24 e 25 de julho, com uma programação diversificada de palestras, painéis e apresentações de pesquisas, reunindo especialistas do Brasil e do exterior para debater os principais desafios e inovações nas áreas de contabilidade, finanças públicas e gestão fiscal.