O uso de tecnologias avançadas e os caminhos para a modernização da gestão pública estiveram no centro das discussões do painel “Inteligência Artificial na Contabilidade e Governança Fiscal dos Governos“, realizado nesta sexta-feira (24), durante o Congresso Internacional de Contabilidade da USP. O evento, sediado em São Paulo, reuniu especialistas para debater as oportunidades e os desafios trazidos pela transformação digital no setor público.
A abertura dos trabalhos foi mediada pelo professor Ricardo Rocha de Azevedo, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FEARP/USP), que destacou a relevância de discutir a profissionalização e a criação de mecanismos de governança voltados ao ecossistema de inteligência artificial.
Oportunidades e desafios na contabilidade pública
Convidado para debater o tema, o diretor de gestão contábil da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), Diego Rodrigues Boente, apontou que a inteligência artificial já faz parte da rotina da administração pública, mas ressaltou a necessidade de estabelecer diretrizes e padrões claros para o seu uso.
Segundo o diretor, ferramentas de IA oferecem um ganho expressivo de eficiência e agilidade, podendo atuar desde o suporte à consulta de normativas públicas até o auxílio em fluxos complexos de trabalho.
“A IA pode ser uma família de soluções que pode ajudar, sim, o nosso trabalho: definir regras, processos, padrões, utilizar processos de linguagem natural, fazer com que o cidadão interaja com a própria ferramenta”, pontuou Boente.

Diego também destacou o impacto positivo da tecnologia na otimização de tarefas de grande volume. Ele exemplificou com iniciativas do setor público que conseguiram reduzir drasticamente o tempo de processamento de dados fiscais com o apoio de ferramentas automatizadas.
“O que antes demandaria um grande esforço humano pode ser agilizado, mas isso exige um cuidado com o trabalho que é produzido, mantendo a supervisão técnica”, reforçou.
Apesar dos avanços, o painel enfatizou que o uso dessas tecnologias exige responsabilidade institucional. Quanto maior for a automação de processos sensíveis – como lançamentos contábeis, emissão de pareceres ou tratamento de dados fiscais -, mais rigorosos devem ser os mecanismos de controle e governança interna.
“Quanto mais desdobramentos na mão de inteligência artificial, maior deveria ser o controle para a gente poder operar junto com essa ferramenta”, alertou o diretor.
Próximos passos e governança fazendária
O debate também abordou a importância de o suporte organizacional caminhar lado a lado com a inovação tecnológica. Para a gestão fazendária, criar diretrizes claras de conformidade e capacitação garante que a introdução de novas tecnologias ocorra com segurança jurídica, mantendo a integridade dos dados e a transparência perante a sociedade.