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3ª edição do Boletim Fiscal: Estados ampliaram investimentos públicos mesmo com crescimento econômico moderado  

O crescimento econômico brasileiro moderado em 2025, combinada com juros elevados e maior endividamento das famílias, impactou diretamente as finanças estaduais. Ainda assim, os estados ampliaram seus investimentos e consolidaram papel relevante na sustentação da atividade econômica. 

Mesmo com receitas pressionadas, os estados ampliaram os investimentos, que atingiram 9,4% da Receita Corrente Líquida em 2025, praticamente o dobro do observado na União, cuja taxa permaneceu em 4,75%.

É o que mostra a 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef). O estudo conta com o apoio e coordenação do Grupo de Gestores das Finanças Estaduais (Gefin) e está disponível gratuitamente no site do Comsefaz. 

O boletim aponta que, diante da retração do setor privado, os estados têm assumido protagonismo na sustentação do investimento público no país. Unidades como Piauí (18,6%), Espírito Santo (18,5%), Mato Grosso (16,4%) e Maranhão (16,1%) lideraram esse movimento, ampliando os aportes em infraestrutura e desenvolvimento.

Na esfera federal, a capacidade de investimento segue limitada pela rigidez orçamentária. Em 2025, os investimentos representaram apenas 2,4% do total das despesas e transferências da União, com forte concentração de gastos obrigatórios

Cenário macroeconômico

A 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros reúne uma análise das principais variáveis macroeconômicas do país nos últimos três anos (2023,2024 e 2025)  e, como novidade, incorpora um diagnóstico mais detalhado sobre o desempenho fiscal, no último ano, das 27 unidades da Federação, incluindo receitas, despesas e endividamento. 

Segundo o diretor institucional do Comsefaz, André Horta, a leitura integrada entre economia e finanças públicas permite compreender melhor os desafios enfrentados pelos estados.

“A evolução da atividade econômica, do mercado de trabalho e das condições financeiras influencia diretamente a arrecadação e a dinâmica do gasto público dos estados, com impactos concretos na vida da população”, afirmou.

Economia perde ritmo, mas mantém sustentação

De acordo com o boletim, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% registrados em  2024 e dos 3,2% em 2023, refletindo a perda de fôlego da demanda interna.

Em 2025, cerca de 80% dos lares brasileiros estavam endividados. Com isso, o consumo das famílias desacelerou de 5,1%, em 2024, para 1,3%, em 2025, enquanto os investimentos avançaram 2,9% de um ano para outro, aponta estudo. O cenário foi influenciado pela política monetária restritiva, com a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, encarecendo o crédito e pressionando o orçamento das famílias.

Apesar do ambiente mais adverso, o setor externo ajudou a sustentar a economia, com crescimento de 6,2% nas exportações. Além disso, o mercado de trabalho também mostrou resiliência. Em janeiro de 2026, observou-se aumento da taxa de desocupação em relação à mínima histórica de 5% registrada em dezembro de 2025.

 O boletim também aponta que a massa de rendimentos da população ocupada, por sua vez, registrou crescimento real de 6,5% de janeiro de 2025 a janeiro de 2026,

refletindo o mercado de trabalho aquecido, com níveis de desocupação historicamente baixos e um cenário de elevação do rendimento real do trabalho.

O estudo também demonstra que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)  encerrou o ano em 4,26%, com destaque para a pressão de custos de energia e combustíveis, que subiram 9,67%.

Receitas de ICMS crescem em menor ritmo 

Outro dado importante é que o  impacto da desaceleração foi sentido nas receitas estaduais em 2025 em comparação com 2024. A Receita Corrente Líquida (RCL) do conjunto dos estados cresceu 3,6% em termos reais, mas em ritmo inferior ao observado em anos anteriores.

A arrecadação do ICMS, principal tributo estadual, também perdeu força, passando de crescimento de 6,5% em 2024 para 2,4% em 2025, em consequência do enfraquecimento da demanda doméstica.

Outras fontes de receita ganharam relevância, como o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), impulsionado pelo aumento da massa salarial, e os rendimentos de aplicações financeiras, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

.Repasses e crédito sustentam regiões

A desaceleração econômica também afetou os repasses da União via Fundo de Participação dos Estados (FPE), especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde esses recursos têm peso relevante.

Ainda assim, operações de crédito ganharam destaque como instrumento de financiamento. No Nordeste, corresponderam a 6,2% da RCL, e no Norte, a 3,9%. O acesso a crédito esteve diretamente associado às boas avaliações de capacidade de pagamento (Capag), que funcionam como critério para autorização de novos financiamentos pela União.

Nesse contexto, o diretor André Horta, reforça a importância do planejamento fiscal e da coordenação entre política econômica e gestão pública para garantir equilíbrio federativo e continuidade dos investimentos.

“A partir desta análise, é possível aos estados aprimorar o planejamento fiscal, antecipar riscos e orientar políticas públicas de forma mais eficiente, garantindo maior previsibilidade e capacidade de resposta diante dos desafios econômicos”, afirmou o diretor institucional do Comsefaz, André Horta.

Acesse o conteúdo no youtube

A 3ª edição do Boletim foi apresentada ao público, em abril, durante uma live no Youtube do Comsefaz. A saudação de abertura foi realizada pelo diretor institucional do Comitê, André Horta,  e a apresentação do estudo ficou sob a responsabilidade do professor do Cicef, Carlos Pinkusfeld Bastos. A live contou ainda com a participação e apontamentos da presidente do Gefin, Celia Carvalho , além de comentários técnicos e participação de representantes estaduais. Assista na íntegra. 

O Boletim também pode ser visualizado e baixado aqui. 

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